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26-1-2012

A União Africana teme a crise europeia



A União Africana (UA) advertiu aos países membros que se preparem para uma pior etapa económica na Europa durante 2012, provocada pela crescente crise da zona euro. O organismo africano aconselha os governos do continente negro a tomar medidas de proteção ao emprego e investimento nacional.

O Comissário de Assuntos Económicos da União Africana, Maxwell Mkwezalamba, afirmou esta semana que com o crescimento do endividamento público excessivo poderiam aumentar as taxas de congelamento do emprego.

“O endurecimento da política económica é de importância elementar, mas temos de olhar para as políticas fiscais para gerar mais recursos”, assegurou Mkwezalamba antigo professor de economia no Malawi.

O alto funcionário da UA aconselhou para além de medidas protecionistas drásticas como a erradicação de quadros cooperantes estrangeiros, sendo substituídos por africanos, apelou a uma política concertada de desenvolvimento industrial com a introdução de novas técnicas de gestão executadas por quadros africanos formados na Europa e Estados Unidos.

Maxwell Mkwezalamba assegurou que a crise da dívida da zona euro trará como consequência uma redução das exportações para a Europa, o que afetará a produção de café, chá e produtos minerais. Como consequência a África terá que reorientar suas exportações para regiões da América Latina e Ásia. A África não poderá contar com grandes ajudas da parte da Europa nos próximos anos por conseguinte Mkwezalamba adverte que “Estes desequilíbrios afetarão as políticas de crescimento africano”.

O professor de economia advoga a teoria de uma África fortaleza, em que o protecionismo será a palavra de ordem para diminuir as consequências que advêm da crise europeia. Promover o comércio interno, combater o desemprego dos países da União Africana com ofertas de trabalho dentro do continente negro, desenvolvendo políticas que dispensem contratações de fora do continente africano.

A maioria dos empresários dos países africanos estão a buscar refúgio para os seus negócios no dólar norte-americano.

Os ministros africanos da economia e finanças preparam uma reunião em Addis Abeba, prevista para março, com o fim de desenvolver uma estratégia de combate contra os efeitos negativos da crise da zona euro.

Lembrando o estadista egípcio Nasser, grande defensor do nacionalismo africano, que já no seu tempo advertia para os perigos da dependência económica em relação ao Ocidente, o professor catedrático de economia afirmou que na referida reunião de março os países africanos irão rever as suas relações existentes e está prevista uma mudança de política de exportações a favor da China e da Índia.

 


Das agências noticiosas africanas