Actriz Mia Farrow faz jejum por Darfur

A actriz Mia Farrow, embaixadora da Boa-Vontade da ONU, anunciou na passada terça-feira que iniciará uma greve de fome, na próxima semana, para demonstrar solidariedade com a população da região sudanesa de Darfur.

"Em 27 de Abril iniciarei um jejum apenas com água em solidariedade às pessoas de Darfur e como expressão pessoal do ultraje num mundo que, de certa forma, é capaz de ficar à parte e assistir homens, mulheres e crianças inocentes a morrer desnecessariamente de fome, sede e doenças", disse Farrow em nota.

Um porta-voz da actriz disse que ela manterá o protesto enquanto for possível, o que os médicos dela estimam que seja um período de cerca de três semanas, levando em conta a organismo delicado dela.

Farrow, nomeada em 2000 como embaixadora da Boa-Vontade do Unicef (órgão da ONU para a infância), tem feito campanha activamente há anos para angariar verbas e consciencializar as pessoas para o drama das questões em zonas de conflito como Darfur, Congo, Haiti, Chade e Nigéria.

A ONU disse recentemente que "mais de 1 milhão de pessoas correm risco de morte" por causa da decisão do governo sudanês de expulsar ONGs humanitárias da região, em protesto contra um mandado internacional de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Al Bashir.

"Realizo esse jejum com a profunda esperança de que os líderes mundiais que sabem o que é justo e certo irão apelar ao governo do Sudão para readmitir urgentemente todas as agências expulsas, ou garantam outra forma da lacuna (na distribuição de ajuda) seja preenchida", disse Farrow.

Ela acrescentou que espera ter a adesão de "militantes dos direitos humanos e cidadãos conscientes de todo o mundo (...) em alguma forma de jejum, mesmo que por um dia".

O embaixador sudanês na ONU, Abdalmahmoud Abdalhaleem, afirmou que Farrow deveria usar a sua fama para convencer grupos rebeldes a pararem de boicotar negociações de paz com Cartum. "O governo está comprometido com o bem-estar dos seus próprios cidadãos e não precisa de ninguém para lembrá-lo disso. Darfur deveria deixar de ser uma arena para os que buscam fama e publicidade".

Fontes da ONU estimam que até 300 mil pessoas tenham morrido e mais de 2,7 milhões tenham fugido das suas casas em quase seis anos de conflito étnico e político em Darfur.

O governo sudanês diz que 10 mil pessoas morreram. Cerca de 4,7 milhões de habitantes de Darfur dependem de ajuda humanitária.

                                                                                                                       22 de Abril de 2009 

 FONTE: Abril.com

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