África: Necessidade de recursos leva países, como a China, a "abordagem exploradora"
A necessidade de recursos leva alguns países, como a China, a uma "abordagem muito exploradora" de África que deve ser travada ao nível dos fóruns multilaterais, considera a analista indiana Radha Kumar." A competição por recursos está a levar países com grande poder, como a China, a terem uma abordagem muito exploradora de África. Investem na exploração dos recursos e em troca apoiam os mais autoritários, chauvinistas, maus políticos", lamentou em declarações à agência Lusa. Para a directora do Nelson Mandela Centre for Peace and Conflict Resolution da Universidade Jamia Millia, em Nova Deli, aquela é "uma preocupação das pessoas" em relação ao continente africano e a mudança exige "consensos multilaterais"." Tem que ser dito à China. E penso que ela até está aberta a alguma mudança, a uma pequena reforma na sua abordagem", adiantou. A investigadora assinalou que "o governo chinês tem uma política sofisticada (...) e tem interesse em ter um papel global, tem que cultivar um perfil global". "Por isso, penso que se fossem pressionados estariam abertos a algum nível. Pelo menos a entrar em discussões deste tipo", disse Radha Kumar. No entanto, sendo "a União Africana um organismo maravilhoso, ainda não há suficiente força nos partidos políticos das democracias africanas para resistirem ou negociarem contra uma abordagem expropriadora de África", considerou. "Tem que ser feito a um nível internacional. Ou no diálogo estratégico China-União Europeia ou na parceria Estados Unidos-China ou um grupo na ONU. Talvez também nós asiáticos precisemos de começar esse diálogo", defendeu a investigadora. Insistindo que "há formas e formas de procurar recursos", Radha Kumar disse, a propósito, defender que "o governo indiano devia acabar com a parceria que tem com a China no Sudão". Segundo a analista, a Índia e a China estabeleceram há três anos uma parceria energética que até agora apenas funciona no Sudão, onde Pequim com algum investimento indiano comprou minas. O acordo determina "75 por cento dos recursos para a China e 25 por cento para a Índia". Entretanto, "a China usou o veto (no Conselho de Segurança da ONU) para proteger o presidente (do Sudão) Omar al-Bachir em relação ao problema de Darfur (província no oeste do país em guerra civil desde 2003) e, como resultado desta abordagem chinesa, a Índia ficou com a imagem manchada", explicou. "Os recursos não são tão importantes que justifiquem ficarmos com má fama. Por isso, defendo que se acabe com a parceria", insistiu. FONTE: Expresso 15 de Maio de 2009
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