Índice:
1 – Fundamento Teórico;
2 – Descrição do Processo/Desenvolvimento do Projecto;
3 – Resultados Finais;
4 – Conclusão;
1 – Fundamento Teórico;
“Darfur. Onde o continuo espectáculo de homens, mulheres e crianças obrigadas a deixar as suas casas por assassinatos, violações e ataques às suas aldeias ridiculariza a nossa acção como comunidade internacional para proteger as pessoas dos piores abusos”- Kofi Annan
O Darfur é hoje um dos mais graves problemas humanitários. O silêncio torna a sua resolução mais difícil. Todos sabemos que há lá algo que não está certo, mas sentimo-nos pouco mobilizados para agir.
Diz D. Carlos Azevedo: “O mundo vai conhecendo aos poucos os números de um drama que a mesquinhez de interesses económicos mundiais teima em travar!”.
Em 2003, independentistas da região do Darfur de maioria africana e com um longo passado de exploração relacionada com o comércio de escravos revoltaram-se de forma armada exigindo a independência dessa região sul do Sudão em relação à região norte maioritariamente árabe e que tem vindo a ser governada por partidos que assentam a sua autoridade no crescente fundamentalismo religioso.
A reacção foi o inicio de uma guerra civil baseada no extermínio dos africanos do sul pelos muçulmanos do norte, muito mais poderosos sob o ponto de vista militar, e com o apoio secreto de países como a Líbia e a Arábia Saudita por exemplo, interessadas em impor nessa região o seu fundamentalismo islâmico.
Porém, incompreensivelmente quer a população árabe, quer a africana falam o árabe e professam maioritariamente o islamismo.
As consequências até hoje são trágicas: - Estima-se entre 300.000 e um milhão o número de vítimas mortais em cinco anos apenas.
- Não é só a guerra que mata já. É também já a fome e um número sem fim de doenças sobretudo entre os mais novos.
- Pelo menos 2,5 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas e a procurar refúgio em campos onde estão totalmente dependentes das organizações humanitárias.
- As organizações de ajuda humanitária tem sido alvos frequentes das milícias, que procuram paralisar a sua actuação, agravando ainda mais a situação de extrema debilidade de milhões de pessoas refugiadas.
A situação chegou a um ponto insustentável, porque o mundo adoptou uma atitude passiva que em nada nos dignifica. Falta a coragem, falta a fraternidade, falta a audácia e a solidariedade perante aqueles que sofrem sem esperança e que eventualmente poderíamos ser nós próprios.
Hoje, mais do que falar em direitos humanos, fará sentido falar em deveres humanos que devem ser cumpridos escrupulosamente: o dever de agir, o dever de denunciar, o dever de falar...
Tomamos consciência de que esta é provavelmente uma das situações mais dramáticas a nível mundial. E é, devido à indiferença dos governos, dos media e da população em geral.
Depois da II Guerra Mundial, a comunidade internacional disse nunca mais. Depois da Bósnia a comunidade internacional disse nunca mais. Depois do Ruanda a comunidade internacional voltou a dizer nunca mais, e hoje em pleno século XXI, o Darfur sofre um genocídio que deveria ser uma preocupação universal.
Acreditamos que a pressão da opinião pública é essencial para resoluções de crises como esta e que Portugal depois do prestígio adquirido durante a presidência da União Europeia deve agora concentrar esforços juntos dos seus parceiros europeus, nomeadamente aqueles que fazem parte do Concelho Permanente de Segurança da ONU na procura de uma solução de paz. A nossa responsabilidade neste caso? Sempre fomos um país amigo dos direitos humanos, pioneiros a abolir a escravatura e a pena de morte e decisivos no processo de independência de Timor Lorosae.
É necessário consciencializar as pessoas para o que se está a passar e é exactamente isso que procuraremos fazer na esperança de que pelo menos o nome "Darfur" fique no ouvido daqueles que estiverem presentes nas nossas acções.
Vivemos hoje numa autêntica aldeia global, onde pequenos actos se sentem a quilómetros de distância. Sabemos que não seremos nós a levar a paz ao Darfur, mas teremos a consciência tranquila de que pelo menos não foi por nós que a situação continuou na mesma.
2 – Descrição do Processo/Desenvolvimento do Projecto;
Os objectivos formulados pelo grupo para o trabalho a desenvolver ao longo do ano lectivo na sequência do tema escolhido foram os seguintes:
C Dar a conhecer o drama humanitário e o conflito que desde 2003 assola a região do Darfur;
C Mobilizar e motivar a comunidade escolar e local para a necessidade de agir em situações de violação dos Direitos Humanos;
C Desenvolver actividades de sensibilização e formação com professores, alunos e outros elementos da comunidade escolar;
C Divulgar as actividades promovidas pelo Darfur em todo o mundo;
C Contribuir financeiramente para os projectos desenvolvidos pela Plataforma porDarfur;
Após a escolha do tema, uma das primeiras acções que o grupo realizou foi o contacto, por correio electrónico com o Pe. Leonel Claro, membro da Plataforma porDarfur e que esteve presente na Acção de Sensibilização realizada no ano lectivo transacto, no dia 5 de Março de 2008.No e-mail que enviamos, informamo-lo do nosso projecto e em nome da Plataforma porDarfur, foi nos dado total apoio para as actividades a desenvolver ao nível de recursos e até das próprias ideias.
Os materiais a usar nas actividades a desenvolver foram ora cedidos pela Plataforma porDarfur, após contacto prévio (material para venda, material audiovisual, etc.), ora cedidos pela escola (material para elaboração de cartazes de sensibilização, espaço, etc.), tendo ainda entrado terceiras entidades em todo este processo como a Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, a Câmara Municipal de Caminha e o Centro Cultural de Vila Praia de Âncora.
Contactamos também como outras entidades com as quais colaboramos de perto ao longo de todo o projecto, como a Amnistia Internacional – Portugal e a Assistência Médica Internacional (AMI).
Foi ainda nosso objectivo fazer uma visita de estudo, designada de “Ronda de Contactos porDarfur” nos dias 8, 9 e 10 de Janeiro onde iríamos a Lisboa visitar a sede da Plataforma porDarfur, a sede da AMI, a sede da Amnistia Internacional e a Assembleia da República, para um encontro informal com um deputado ligado à causa. O nosso objectivo era apresentar o nosso projecto, recolher informações e endereçar pessoalmente um convite para participarem na Semana porDarfur.
Porém, o elevado custo da deslocação, sobretudo do transporte, fez o grupo desistir da sua ideia.
Assim sendo, o grupo de trabalho após uma primeira fase de pesquisa documental, começou por estabelecer as suas metas e definir as suas actividades a realizar ao longo do ano.
Numa primeira fase o grupo começou por pensar assinalar alguns dias simbólicos relacionados com os Direitos Humanos e dedicar uma semana por inteiro à causa, onde contaríamos ter a presença de pessoas ligadas à campanha.
Foram definidas as seguintes actividades:
C Celebração do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos – 10 de Dezembro de 2008;
C Celebração do Dia Mundial de Lembrança das Vítimas do Holocausto – 27 de Janeiro de 2009;
C Celebração do Dia Mundial da Mulher – dia 8 de Março de 2009;
C Semana porDarfur – 16 a 22 de Maio de 2009;
C Celebração Dia Mundial da Criança – 1 de Junho de 2009;
Após termos definido estas actividades, o grupo definiu as acções a realizar nestes dias.
C Celebração do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos: No dia em que se assinalam 60 anos da adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o objectivo era lembrar o repto do Relatório Anual da Amnistia Internacional que desafiava os líderes mundiais a pedir desculpa por 60 anos de fracasso devido ao mau estado dos direitos humanos e que apontava o Darfur, como uma das regiões mais críticas do globo! Para assinalar desenvolveríamos as seguintes actividades: elaboração de cartazes de sensibilização, passagem de músicas porDarfur na rádio escolar e uma sessão de sensibilização no auditório!
C Celebração do Dia Mundial de Lembrança das Vítimas do Holocausto: Sabendo que a situação vivida durante a II Guerra Mundial de eliminação de grupos minoritários por parte do regime nazi tem assustadoras semelhanças com a situação que se passa hoje no Darfur e pelo meio, o mundo assistiu ainda a outros genocídios sobretudo na Bósnia e no Ruanda, o grupo pensou assinalar este dia com a elaboração cartazes de sensibilização, a passagem o filme “Hotel Ruanda” e um Colóquio com presença do Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional.
C Celebração do Dia Mundial da Mulher: Visto que em 2004, delegados da Amnistia Internacional visitaram o Chade, de forma a obter informação sobre a violência sobre as mulheres no Darfur e a organização conseguiu recolher os nomes de 250 mulheres, que foram violadas no contexto deste conflito, sendo que muitas são indiscriminadamente mortas, bombardeadas, violadas, torturadas e raptadas, grupo pensou assinalar o Dia Mundial da Mulher com a elaboração de cartazes de sensibilização, uma distribuição de rosas pela comunidade escolar e endereçando um convite à Eurodeputada Ana Gomes, para vir à escola, falar da situação das mulheres no Darfur.
C Semana porDarfur: Seria o ponto alto do nosso trabalho.O seu arranque seria num sábado, num local exterior à escola, onde faríamos a apresentação da semana, com a Direcção da Cooperativa de Ensino Ancorensis, Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Câmara Municipal de Caminha e a Plataforma porDarfur. A segunda-feira marcaria a abertura de uma exposição sobre o Darfur e a terça-feira, seria a vez de recolher fundos para a Campanha porDarfur, através da venda de produtos e um leilão. Na quarta-feira, haveria a realização de um jogo de futebol porDarfur, sendo que a quinta-feira, seria a vez de recebermos personalidades ligadas à causa para um colóquio/debate. A semana terminaria na sexta-feira com um concerto musical com músicas porDarfur.
C Celebração Dia Mundial da Criança: Sabendo que em Darfur, as crianças com menos de 6 anos ainda não sabem o que é viver em paz, sensíveis a esta situação, pensamos elaborar cartazes de sensibilização, distribuir panfletos sobre os direitos das crianças e fazer uma visita à escola E. B. 1,2 de Vila Praia de Âncora para falar sobre esta temática, havendo por fim uma largada de balões em nome de todas as crianças que vêem os seus direitos negados.
3 - Resultados Finais
Relativamente aos produtos finais, o grupo acabou por fazer da Celebração do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o pontapé de saída dos seus trabalhos ao longo do ano.
O início da preparação desta actividade foi no dia 24 de Novembro de 2008, de acordo com as acções definidas para esta data.
Relativamente à acção de sensibilização a realizar, o grupo pensou que a data seria propícia para informar os mais novos acerca dos Direitos Humanos. São eles, os mais novos, os testemunhos de amanhã, o terreno novo, fértil e ainda não contaminado que há que sensibilizar para recolher bons frutos mais tarde.
Assim o grupo procurou saber quais eram as turmas do 7º ano que à quarta-feira pelas 8h20 tinham disponibilidade para marcar presença no auditório. Tivemos acesso aos seus horários e encontramos as turmas do 7º A e 7º B que a essa hora tinham Estudo Acompanhado com os professores Gil Fonte, Celestino Ribeiro, Carlos Vaz e Francisco Carneiro, que desde logo aceitaram o nosso desafio tendo levado os seus alunos ao auditório pelas 9h00 no auditório da Ancorensis, de modo a sensibilizar os alunos para os direitos humanos e alertar para o seu incumprimento no Darfur.
A acção de sensibilização começou com o videoclip dos Mattafix, “Living Darfur”, gravado num campo de refugiados na fronteira entre o Darfur e o Chade, seguindo-se uma abordagem histórica dos Direitos Humanos desde a ascensão do Partido Nazi ao poder e a II Guerra Mundial até à fundação da ONU, para por fim dar a conhecer a região do Darfur e o conflito que a ensanguenta desde 2003.
Por fim, foram distribuídas pela assistência pulseiras com um direito humano inscrito, simbolizando um compromisso de 60 anos que é ignorado hoje em dia na região do Darfur.
A par desta iniciativa foram elaborados alguns cartazes de sensibilização, colocados no hall de entrada nessa mesma manhã, juntamente com um computador onde passavam alguns vídeos que alertavam para a problemática.
Foram passadas igualmente durante os intervalos, na rádio da Associação de Estudantes da Ancorensis, Cooperativa de Ensino, algumas músicas do CD “Make Some Noise – Save Darfur”.
Após essa primeira actividade o grupo voltou à carga com a Celebração do Dia Mundial de Lembrança das Vítimas do Holocausto, actividade que começou a ser preparada logo nos primeiros dias de Janeiro de 2009.
O grupo já havia convidado o Prof. Luís Braga da Direcção da Amnistia Internacional para marcar presença num colóquio com os alunos, mas devido a alguns desentendimentos, o mesmo apenas confirmou a sua presença, dois dias antes da acção, o que obrigou a redobrados contactos quer por correio electrónico quer por telefone.
O grupo convidou ainda o Prof. Teodoro Fonte, Professor de História na Ancorensis, Cooperativa de Ensino, para nos dar a sua visão acerca do Holocausto e outros genocídios verificados ao longo da História.
Depois de na véspera terem sido colocados alguns cartazes de sensibilização no hall de entrada da escola, o dia 27 de Janeiro ficou sobretudo marcado pelas duas acções de sensibilização levadas a cabo designadas pelo nome “Never Again – Revivendo o Holocausto”.
Pelas 10h10, perante uma audiência composta pelas turmas do 11º D, que o grupo convidou na pessoa do seu professor de Filosofia, Nuno Tavares e do próprio 12º F, foi realizada a primeira acção de sensibilização.
A sessão incluiu uma pequena apresentação que procurou esclarecer os presentes sobre aquilo que foi o Holocausto e outros genocídios a que o mundo já tem assistido, com especial relevância actualmente para o Darfur, e incluiu ainda a visualização de um documentário sobre o corajoso exemplo de Aristides de Sousa Mendes durante a II Guerra Mundial.
O primeiro objectivo para esta acção, era a passagem do filme “Hotel Ruanda” mas o mesmo excedia os 90 minutos de aula, sendo que o grupo optou por o dito documentário.
Já no período da tarde, pelas 14h30 o auditório encheu-se para nova acção de sensibilização. O primeiro a usar da palavra foi o Prof. Rui Pedro Caramez, responsável pela disciplina de Área de Projecto que procurou dar um pouco a conhecer a dinâmica da disciplina e do grupo de trabalho, agradecendo ainda a todos os presentes e envolvidos na sessão. Depois, seguiu-se Carlos Alberto Videira, que em nome do grupo fez uma pequena introdução aos temas a abordar. Seguiu-se o Prof. Luís Braga, membro da Direcção da Amnistia Internacional – Portugal, que deu a conhecer a missão desta organização, bem como os objectivos pelos quais se bate e onde está incluída a resolução da crise humanitária do Darfur. Por fim, o Prof. Teodoro Fonte, professor de História na Ancorensis, lembrou o horror que foi o Holocausto e exprimiu a sua preocupação com o facto de os mais jovens olharem para tal como algo de ficcional e de muito longínquo.
Durante ambas as sessões foram ainda distribuídos pelos participantes panfletos de divulgação e fitas negras, em sinal de luto por momentos tão tristes na História da Humanidade.
O grupo contactou a comunicação social para esta actividade sendo que as actividades acabaram por ser noticiadas no Jornal Terra e Mar, e o grupo mereceu mesmo uma reportagem acerca do trabalho desenvolvido, no Jornal Digital Caminha 2000, que entrevistou no final da sessão da tarde Carlos Alberto Videira.
Seguiu-se um dos pontos altos do projecto, a Acção de Sensibilização “SOS Alerta Direitos Humanos”.
Na preparação das actividades do Dia Mundial da Mulher, que ocorreram no inicio do 2º período, o grupo contactou a Dra. Ana Gomes que se mostrou indisponível para marcar presença na data proposta (6 de Março de 2009), mas mostrou disponibilidade para marcar presença em Vila Praia de Âncora no dia 28 de Fevereiro de 2009, num intervalo dos trabalhos do Congresso do Partido Socialista em Espinho.
A data era um sábado e grupo falou com o Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis, que mostrou apreensão quanto à mobilização a realizar mas acabou por concordar com a sessão, sendo que o grupo se comprometeu a realizar um grande trabalho de mobilização.
Decidiu-se abrir a sessão a toda a problemática dos Direitos Humanos e escolheu-se o Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora para, pelas 10h30m, ser palco de uma acção de sensibilização acerca da temática dos Direitos Humanos.
A já referida acção de sensibilização intitulou-se “SOS Alerta Direitos Humanos” e o grupo confirmou como oradores o Prof. Cerqueira Rodrigues, Director Pedagógico da Ancorensis Cooperativa de Ensino, o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, Carlos Alberto Videira, representante do grupo de trabalho responsável pela dinamização da acção, o Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional – Portugal e a Eurodeputada Ana Gomes.
O grupo convidou também D. Ximenes Belo, que se mostrou indisponível por se encontrar em retiro, Lucília José Justino, Presidente da Amnistia Internacional – Portugal, que não pôde marcar presença mas delegou no Prof. Luís Braga a sua representação, o Pe. Leonel Claro, que há data iria estar em Coimbra, e o Dr. Fernando Nobre que estava ausente do país nesse mesmo dia.
Esta iniciativa contou com o apoio da Ancorensis Cooperativa de Ensino, Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Câmara Municipal de Caminha, Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, Fórum Estudante, Amnistia Internacional – Portugal e Plataforma porDarfur.
O grupo teve ainda colaboração da Paróquia de Vila Praia de Âncora, do Jornal Terra e Mar, do Jornal Digital Caminha 2000 e da Plataforma porDarfur, na divulgação da sessão após contactos com os seus responsáveis.
Contactamos as associações e alguns partidos políticos da região a fim de marcarem presença nesta acção.Foram ainda elaborados cartazes de divulgação que foram espalhados por toda a vila.
No dia da acção de sensibilização, os participantes tiveram a oportunidade de assinar um livro de visitas e adquirir algum material promocional alusivo ao evento.
A sessão começou com a leitura de alguns dos 30 artigos que compõem a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Depois seguiu-se a intervenção do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis que se congratulou com tal iniciativa e com o espírito activo do grupo que a levou a cabo, reforçando em conclusão de que “o capital humano constitui a grande mais valia desta cooperativa de ensino” sobretudo neste momento de crise.
De seguida o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, partilhou com os presentes a sua experiência de voluntário na Fundação AMI ao serviço da qual está ligado e onde já integrou uma missão no arquipélago de Cabo Verde, destacando de seguida a importância dos municípios em questões ligadas ao bem estar das populações sobretudo na assistência à infância, à terceira idade e às pessoas com maiores necessidades.
Posteriormente foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo de jovens que levou a cabo esta iniciativa.
O Prof. Luís Braga da Direcção da Amnistia Internacional deu a conhecer um pouco melhor a sua organização e o drama que afecta o Darfur, contextualizando a situação e fazendo referência aos 300 mil inocentes mortos, aos 2,4 milhões de desalojados e à utilização da violação como uma arma de guerra, apesar do recente acordo de intenções de paz assinado a 17 de Fevereiro entre o Governo do Sudão e um dos movimentos rebeldes do Darfur.
Para finalizar a Eurodeputada Ana Gomes falou sobre a missão que integrou ao Darfur em 2004 como observadora do Parlamento Europeu, referindo que não tinha, após os relatos que ouviu e as situações a que assistiu, qualquer hesitação em chamar de genocídio ao que se está no Darfur.
A Eurodeputada congratulou-se também com a mobilização que foi feita para se falar de Direitos Humanos “num sábado de manhã” e alertou para a importância da Defesa e da Segurança como questões essenciais para garantir o respeito pelos Direitos Humanos.
Segundo alguns testemunhos por parte das pessoas que assistiram ao evento e do grupo de jovens organizadores, o balanço foi muito positivo.
A notícia foi amplamente divulgada nos meios de comunicação social local, no site da Amnistia Internacional – Portugal e no site da Plataforma porDarfur.
Fruto desta acção, o grupo foi convidado pela professora Ana Margarida Barbosa a realizar duas acções de sensibilização junto de duas turmas do 9º ano, convite ao qual o grupo respondeu positivamente.
A convite da Plataforma porDarfur, o grupo participou igualmente na Campanha “24hours forDarfur” tendo enviado um pequeno vídeo para a Plataforma porDarfur com o seu contributo.
Relativamente à Semana porDarfur que o grupo pensou organizar, a mesma foi inserida na Semana + a realizar-se durante 27 a 30 de Abril de 2009.
A ideia de realizar uma exposição relativa ao Darfur manteve-se e após contactos com o Pe. Leonel Claro, foram disponibilizados vários materiais que o grupo utilizou na exposição que abriu ao público na sala B20 pelas 14h30 do dia 27 de Abril e cujas turmas destinadas a visitar esta exposição, tinham a oportunidade de assistir a pequenas apresentações relativas ao Darfur, feitas pelos membros do grupo.
Foram ainda disponibilizados materiais para venda pelo Pe. Leonel Claro, tais como t-shirts, CD’s e quadros africanos e cuja venda se saldou pela recolha de 172€ entregues à Plataforma porDarfur.
Na terça-feira foi o dia da Acção de Sensibilização “Testemunhos porDarfur” com o Dr. Fernando Nobre, cujos contactos para uma possível visita à escola mantinham-se desde o convite para a acção de sensibilização “SOS Alerta Direitos Humanos” e com o Pe. Leonel Claro, que prontamente se dispôs a vir novamente até Vila Praia de Âncora.
A acção de sensibilização começou pelas 11h50 na Biblioteca da Ancorensis, Cooperativa de Ensino e dirigiu-se a vários alunos e professores do Ensino Secundário.
O Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da escola, foi o primeiro a usar da palavra para dar as boas vindas a todos os presentes, seguindo-se o Dr. Paulo Pereira, que saudando o grupo organizador, não escondeu a sua satisfação por lhe ter sido dada a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Fernando Nobre, visto que foi voluntário da AMI, tendo integrado uma missão a Cabo Verde em 2002 ao serviço da mesma.
Depois, foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo organizador, referindo que a questão do Darfur é uma causa muita querida ao mesmo e por isso farão tudo o que está ao seu alcance para sensibilizar toda a comunidade escolar e local para as consequências de um conflito que se arrasta há demasiado tempo.
Posteriormente, o Pe. Leonel Claro falou da sua experiencia de 10 anos como missionário no Chade, país que faz fronteira com o Darfur e tem inúmeras semelhanças com o mesmo. Depois falou do grupo Fé e Missão que esteve na génese da criação da Plataforma porDarfur, que pretende “semear a esperança” numa região que neste momento “parece não ter futuro”.
Por fim, o Dr. Fernando Nobre manifestou-se agradado por, pela primeira vez, estar no concelho de Caminha, terra de muitos dos seus antepassados, para depois falar de algumas das suas experiências que acumulou ao longo de 35 anos de trabalho humanitário durante os quais esteve em “mais de 150 países”, numa primeira fase ao serviço dos Médicos Sem Fronteiras, e depois na AMI.
Relativamente ao Darfur, o presidente e fundador da AMI, lembrou outros genocídios que a comunidade internacional ignorou e ignora apesar do slogan “Nunca Mais”, falando posteriormente das três ocasiões em que esteve na região (1981, 1983 e 2004). Fernando Nobre disse que infelizmente “o Ocidente perdeu toda a autoridade moral para acusar seja quem for” porque “tem um peso e duas medidas” quando os interesses económicos e petrolíferos assim o exigem, sendo que o facto do Presidente Bush ter sido dos primeiros a usar o termo genocídio para classificar aquilo que se estava a passar no Darfur “foi um desastre, pois ele era a última pessoa que o poderia fazer depois de invadir o Iraque” onde já morreram entre 300 mil a 1,2 milhões de pessoas.
Antes de terminar, Fernando Nobre apelou ainda aos jovens para que não se acomodem e para que sejam activos e participativos na construção de um mundo melhor.
A acção foi também amplamente divulgada nos meios de comunicação social local e no site da Plataforma porDarfur.
Para esta acção tinham ainda sido convidados a Dra. Lucília José Justino que não pôde comparecer por motivos profissionais, D. Ximenes Belo, que se encontrava fora do país, o Eurodeputado Ribeiro e Castro em missão do Parlamento Europeu no Equador, António Manuel Ribeiro, dos UHF, em Faro no lançamento de um CD e a cantora Claudine Pinheiro, impedida de participar por motivos profissionais.
Na quarta-feira realizamos um jogo de solidariedade entre professores e alunos, uma actividade mais dinâmica e diferente das outras já realizadas pelo grupo.
Realizar diversos contactos, nomeadamente com os professores, gráficas, funcionários para a requisição de espaços e ainda com a Associação de Estudantes para a cedência da aparelhagem e para um dos elementos fazer o relato do jogo.
A primeira tarefa foi contactar diversos professores acerca da sua disponibilidade. Falamos com a Prof. Susana Lourenço, Prof. Carlos Cunha, Prof. João Cambão, Prof. José Leal, Prof. José Maria, Prof. João Vilas, Prof. Nelson Pereira, Prof. Basílio Barbosa, Prof. Daniel Dias, Prof. Gil Fonte e Prof. Pedro Caramez, Prof. Liliana e Prof. Liliana Silva. Destes professores jogaram, Prof. Carlos Cunha, Prof. Liliana, Prof. João Cambão, Prof. Rui Pedro Caramez, Prof. Liliana Silva, Prof. Daniel Dias, Prof. Nelson Dias. Como árbitros contamos com a presença do Prof. Basílio Barbosa e Prof. Gil Fonte.
Para este jogo de solidariedade arranjamos camisolas pretas e brancas com o logótipo do projecto e um número. Foram pedidos orçamentos, e a gráfica que mais correspondeu às expectativas foi a Brindigráfica, tendo feito um desconto.
No dia do jogo as condições climatéricas não foram as melhores e foram feitos alguns contactos “extra” para a requisição do pavilhão e de uma carrinha para a deslocação dos materiais.
O jogo iniciou-se no Pavilhão Municipal de Vila Praia de Âncora pelas 13h30 com a presença do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino, que deu o pontapé de saída.
No final, o resultado foi de 3-2 favorável à equipa dos alunos que contaram na sua equipa com os alunos, Carlos Alberto Videira, Tiago Brás, Luís Verde, Adriana Lopes, João Pedro Fernandes, Daniel Pires, Filipe Leitão e Alexandra Verde.
Na quinta-feira foi ainda realizada a Acção de Sensibilização “Gritos porDarfur”, dado que seria este o dia em que à partida seria realizada a sessão com o Dr. Fernando Nobre. Contudo, foi pedido ao grupo, que mantivesse esta acção para não haver a necessidade de recolocar as turmas em aulas.
Face à falta de oradores, Carlos Alberto Videira fez a apresentação em nome do grupo de trabalho, encerrando assim as actividades do grupo na “Semana +”.
Devido ao trabalho desenvolvido durante a semana, o grupo foi convidado pelo Prof. Nuno Tavares para realizar uma acção de sensibilização junto de uma turma dos cursos de Educação e Formação para Adultos, à qual voltou a responder positivamente, encerrando definitivamente um longo trabalho de sensibilização face ao conflito do Darfur.
4 - Conclusão
Os Direitos Humanos, expressão tão citada e ideal tão básico, permanecem desconhecidos para tantos e ainda parecem uma utopia nos nossos dias.
Este grupo de trabalho não se resigna com tal facto, não se resigna perante a ideia de que não existe uma solução para os problemas que afectam a Humanidade e acredita na possibilidade de contrapor à indiferença e à intolerância com a esperança, a alegria, a vontade de agir e a vontade de aprender.
Nós acreditamos, que através de gestos concretos, como os que organizamos ao longo do ano, é possível fazer do mundo um lugar mais habitável para todos.
Aprendemos, tal como diz o lema da Amnistia Internacional: “Mais vale acender uma vela, do que maldizer a escuridão!”
Perante o genocídio que ocorre neste momento no Darfur, levantamo-nos contra o desconhecimento e a suposta ignorância que não podem continuar a servir como desculpa para a nossa inércia.
Escandalizava-nos que a palavra Darfur ainda soe desconhecida a tanta gente e que a situação humanitária mais grave do século XXI seja uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
O nosso desafio era que no final deste ano lectivo não houvesse ninguém que não tivesse ouvido pelo menos uma vez a palavra Darfur e não soubesse o que se está a passar naquela região do Sudão.
Lutamos com as armas que estavam ao nosso dispor.
Demos a conhecer esta tragédia, fomos convidados para realizar várias acções de sensibilização e participar em algumas campanhas, trouxemos a Vila Praia de Âncora a Dra. Ana Gomes e o Dr. Fernando Nobre, tivemos vários contactos com D. Ximenes Belo, a Dra. Lucília José Justino, Presidente da Amnistia Internacional – Portugal e o Eurodeputado José Ribeiro e Castro, juntamos professores e alunos num jogo de solidariedade, conseguimos juntar alguns fundos para enviar para aquela população, e hoje tenho a certeza, que daqui a um tempo quando se ouvir falar novamente no Darfur muitos irão dizer: «Na Ancorensis havia lá uns parolos que andavam sempre a falar no Darfur».